Estudo sobre boas práticas no consumo de antibióticos distinguido.

Um estudo sobre o consumo de antibióticos, levado a cabo por investigadores de várias universidades de Portugal e Espanha, concluiu que uma intervenção educativa dirigida a médicos e farmacêuticos diminui a prescrição destes fármacos.

O projeto venceu a 6.ª Edição do Prémio Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa/MSD em Epidemiologia Clínica, no valor de 20 mil euros, uma distinção da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa e que conta com o apoio do laboratório MSD.

A cerimónia pública de atribuição do Prémio Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa/MSD em Epidemiologia Clínica decorre no dia 27 outubro de 2016, às 17 horas, na Sala de Atos da Nova Medical School, Faculdade de Ciências Médicas.

A investigação Decreasing antibiotic use through a joint intervention targeting physicians and pharmacists: a cluster-randomized controlled trial (diminuir o uso de antibióticos através de uma intervenção conjunta para médicos e farmacêuticos: um estudo controlado e aleatório) teve como objetivo identificar as atitudes e conhecimentos dos profissionais de saúde, médicos e farmacêuticos com respeito à prescrição e dispensa de antibióticos e resistência microbiana.

A equipa de investigadores estudou o impacto de uma intervenção educativa, dirigida a médicos de medicina geral e familiar e a farmacêuticos comunitários, com o objetivo de diminuir o consumo de antibióticos na população.

O trabalho teve uma componente educativa e de sensibilização junto de médicos e farmacêuticos. Foram realizadas intervenções educativas no sentido de melhorar a utilização de antibióticos numa região definida pela Administração Regional de Saúde do Centro.

Desenvolvido pelos investigadores Maria Teresa Herdeiro, Fátima Roque, António Teixeira Rodrigues, Luiza Breitenfeld, Maria Piñero-Lamas e Adolfo Figueiras, o projecto conclui que houve uma diminuição do consumo total de antibióticos de 3,71%, sendo esta diminuição mais acentuada para as tetraciclinas (15,63%), macrólidos (9,37%) e cefalosporinas (7,24%).

Recentemente, a Organização Mundial da Saúde alertou que esta situação está a conduzir-nos para uma era pré-antibiótica, pois muitas situações menores, que já foram facilmente tratáveis com os antibióticos disponíveis, atualmente não se conseguem tratar.

Para os investigadores, “há uma “necessidade de maior interação entre os cuidados de saúde hospitalares e os cuidados de saúde primários, com mais informação sobre os mapas de resistências”.

O motivo identificado pelos autores para que ainda tantos clínicos prescrevam antibióticos prende-se com “a complacência com o doente”.